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Crítica | IT- A Coisa (2017) - Uma das melhores adaptações recentes do mestre Stephen King


Reprodução: IMDB

IT- A Coisa é mais uma das adaptações do escritor Stephen King, o mestre do terror. Essa é a segunda adaptação do livro de mais de 1000 páginas que foi publicado em 1986, tendo uma minissérie e posteriormente um telefilme exibidos na década de 90, onde o palhaço Pennywise foi interpretado por Tim  Curry (Todo Mundo Em Pânico 2).

A história se passa na pacata cidade de Derry no Maine, onde um grupo de adolescentes conhecidos como o “Clube dos Perdedores” precisam enfrentar de tempos em tempos uma criatura maligna personificada na forma de um palhaço conhecido como Pennywise. O filme tem o roteiro de Cary Fukunaga (Sin Nombre) e a direção do argentino Andy Muschiett (Mama), que trabalha muito bem a amizade, companheirismo, descoberta, aceitação e enfrentamento; que são os elementos primordiais do filme, tendo como ambientação o terror causado pelo palhaço. Durante o longa, sentimos a constante evocação de obras como: Conta Comigo, Os Goonies, Clube Dos Cinco, A Hora Do Pesadelo e da série da Netflix, Stranger Things, que tem um dos atores em IT, Finn Wolfhard.

Não vou entrar na comparação entre o livro e o filme porque infelizmente eu não tive a oportunidade de ler, ainda, mas assisti a algum tempo o telefilme, e adorei a atuação do Tim Curry. Fazendo uma rápida comparação entre Bill Skarsgard e ele, acredito que o que atrapalhou um pouco a performance do novo intérprete de Pennywise, foi os efeitos visuais além da conta, mas de qualquer modo, sua atuação foi expressiva e memorável assim como a de Curry. Quanto aos garotos, a química entre eles é perfeita. Os diálogos funcionam entre piadinhas e discussões aos momentos de tensão da obra. Quem mais se destaca são os personagens Richie (Finn Wolfhard), que é um falastrão, Eddie (Jack Dylan Grazer), que é bem paranóico, e claro, a linda Bervely, vivida pela Sophia Lillis, que me encantou pela beleza similar a da atriz Molly Ringwald, que fez sucesso em filmes da década de 80, como A Garota de Rosa Shocking  e Clube dos Cinco, tendo Inclusive, em uma das cenas, referência por parte de um dos meninos durante uma discussão.

Cada personagem possui seus dramas pessoais, que vai de abuso sexual, exclusão social, lidar com as perdas e o próprio medo, que se personifica na pele de Pennywise. O terror também é pontual, o palhaço não aparece a torta e a direita, a imagem dele é preservada em detrimento de suas várias faces usadas para atormentar os adolescentes, como Freddy Krueger; e isso me fez pensar estar vendo uma nova versão de A Hora Do Pesadelo, que também tem referência em um dos planos do filme, prestem atenção quando estiverem assistindo.

 Durante os enquadramentos é usado o recurso do dutch angle para transitar de cenas mais cômicas para momentos de terror, sem perder o ritmo do filme, e passar a ideia desconcertante que o personagem está vivenciando, como na cena em que a Bervely está no esgoto totalmente vulnerável e sozinha. É utilizado o contra-plongée quase sempre que os garotos chegam na casa do palhaço demonstrando a imponência dela diante da fraqueza e medo deles.

 A composição visual do palhaço é menos colorida do que a versão dos anos 90, dando um aspecto mais sombrio ao monstro. E retornando ao aspecto da atuação, Bill Skarsgard foi brilhante, realmente passa a sensação de medo, loucura e insanidade, algo interessante que pude notar, é que o palhaço é onipresente, perturbando cada um dos adolescentes mesmo individualmente, ao mesmo tempo.

Alguns pontos que me incomodaram, foram algumas cenas repetitivas, por exemplo, quase sempre se utilizando do mesmo artifício da criatura correndo ou flutuando rapidamente em direção a câmera. No entanto, considero IT um dos melhores filmes de terror do ano. O longa fala da amizade desses garotos desajustados que precisam enfrentar problemas em uma idade que deveriam apenas se divertir, e que encontram um no outro motivos para continuar a jornada. A cena final é um misto de beleza e melancolia. Espero que o segundo capítulo seja tão bom quanto o primeiro.

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