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IT- A Coisa é mais uma das adaptações do escritor Stephen King, o mestre do terror. Essa é a segunda adaptação do livro de mais de 1000 páginas que foi publicado em 1986, tendo uma minissérie e posteriormente um telefilme exibidos na década de 90, onde o palhaço Pennywise foi interpretado por Tim  Curry (Todo Mundo Em Pânico 2).

A história se passa na pacata cidade de Derry no Maine, onde um grupo de adolescentes conhecidos como o “Clube dos Perdedores” precisam enfrentar de tempos em tempos uma criatura maligna personificada na forma de um palhaço conhecido como Pennywise. O filme tem o roteiro de Cary Fukunaga (Sin Nombre) e a direção do argentino Andy Muschiett (Mama), que trabalha muito bem a amizade, companheirismo, descoberta, aceitação e enfrentamento; que são os elementos primordiais do filme, tendo como ambientação o terror causado pelo palhaço. Durante o longa, sentimos a constante evocação de obras como: Conta Comigo, Os Goonies, Clube Dos Cinco, A Hora Do Pesadelo e da série da Netflix, Stranger Things, que tem um dos atores em IT, Finn Wolfhard.

Não vou entrar na comparação entre o livro e o filme porque infelizmente eu não tive a oportunidade de ler, ainda, mas assisti a algum tempo o telefilme, e adorei a atuação do Tim Curry. Fazendo uma rápida comparação entre Bill Skarsgard e ele, acredito que o que atrapalhou um pouco a performance do novo intérprete de Pennywise, foi os efeitos visuais além da conta, mas de qualquer modo, sua atuação foi expressiva e memorável assim como a de Curry. Quanto aos garotos, a química entre eles é perfeita. Os diálogos funcionam entre piadinhas e discussões aos momentos de tensão da obra. Quem mais se destaca são os personagens Richie (Finn Wolfhard), que é um falastrão, Eddie (Jack Dylan Grazer), que é bem paranóico, e claro, a linda Bervely, vivida pela Sophia Lillis, que me encantou pela beleza similar a da atriz Molly Ringwald, que fez sucesso em filmes da década de 80, como A Garota de Rosa Shocking  e Clube dos Cinco, tendo Inclusive, em uma das cenas, referência por parte de um dos meninos durante uma discussão.

Cada personagem possui seus dramas pessoais, que vai de abuso sexual, exclusão social, lidar com as perdas e o próprio medo, que se personifica na pele de Pennywise. O terror também é pontual, o palhaço não aparece a torta e a direita, a imagem dele é preservada em detrimento de suas várias faces usadas para atormentar os adolescentes, como Freddy Krueger; e isso me fez pensar estar vendo uma nova versão de A Hora Do Pesadelo, que também tem referência em um dos planos do filme, prestem atenção quando estiverem assistindo.

 Durante os enquadramentos é usado o recurso do dutch angle para transitar de cenas mais cômicas para momentos de terror, sem perder o ritmo do filme, e passar a ideia desconcertante que o personagem está vivenciando, como na cena em que a Bervely está no esgoto totalmente vulnerável e sozinha. É utilizado o contra-plongée quase sempre que os garotos chegam na casa do palhaço demonstrando a imponência dela diante da fraqueza e medo deles.

 A composição visual do palhaço é menos colorida do que a versão dos anos 90, dando um aspecto mais sombrio ao monstro. E retornando ao aspecto da atuação, Bill Skarsgard foi brilhante, realmente passa a sensação de medo, loucura e insanidade, algo interessante que pude notar, é que o palhaço é onipresente, perturbando cada um dos adolescentes mesmo individualmente, ao mesmo tempo.

Alguns pontos que me incomodaram, foram algumas cenas repetitivas, por exemplo, quase sempre se utilizando do mesmo artifício da criatura correndo ou flutuando rapidamente em direção a câmera. No entanto, considero IT um dos melhores filmes de terror do ano. O longa fala da amizade desses garotos desajustados que precisam enfrentar problemas em uma idade que deveriam apenas se divertir, e que encontram um no outro motivos para continuar a jornada. A cena final é um misto de beleza e melancolia. Espero que o segundo capítulo seja tão bom quanto o primeiro.
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E se pudéssemos vislumbrar o dia da nossa morte? Se por um instante, essa imagem fixasse em nossa mente a ponto de nos confundir e nos fazer apaixonar por esse relance tão trágico em seu final, nós nos entregaríamos a esse retrato tão bem delineado coexistente com a vida?

Em La Jetée, a morte é personificada na paixão feroz, de um homem por uma mulher (Hélène Chatelain), uma mulher que nada mais é do que a figura de si mesmo capturada durante sua infância. Uma imagem perturbadora cujo seu significado seria descoberto por ele algum tempo mais tarde de uma forma visceral e cruel.

Logo nos primeiros minutos, o filme nos faz refletir acerca das nossas memórias, até que ponto podemos confiar nelas? Memórias tão fragmentadas, uma vez que o tempo passa, tornando as lembranças, anteriormente claras, agora, turvas, podendo nos pregar peças. Não é difícil deixar se de identificar com o homem do aeroporto, pois ele facilmente pode ser o espectador com suas próprias memórias difusas.

A narrativa se passa no subterrâneo de uma França devastada pela guerra em que, os prisioneiros que sobreviveram aos ataques são submetidos a experimentos de viagem no tempo para tentar encontrar uma maneira de trazer novamente a esperança para a humanidade. A transitoriedade do mensageiro através do tempo passado e futuro ajudaria a restabelecer o presente, com o envio de comida, remédio e fontes de energia.
A partir deste momento, embarcamos em uma viagem poética por meio das imagens que o diretor e fotógrafo Chris Marker nos proporciona. Por exemplo, em uma das cenas onde o homem (Davos Hanich) acorda no tempo passado, ele tem a mulher ao seu lado, o percebemos imerso na felicidade, mesmo que por alguns instantes, ele se sente afortunado e seguro naquela ocasião. 

Em outros momentos, a câmera nos olhos da mulher deitada na cama, o ângulo em que seu rosto é captado, rapidamente mudando até se tornar não mais imagens estáticas mas com movimentos, nos diz o quanto aquele homem tem a figura daquela mulher muito forte e viva em sua mente, é apaixonante. Curioso notar que ela quase sempre vestida com roupas escuras, uma possível alegoria de que aquela doce mulher, a coisa mais linda e amável que ele tinha por perto, era também o símbolo de obscuridade, morte, perda, algo que ele descobriria adiante. O viajante, por sua vez, de branco, representando a inocência, vivendo aquele período como se não houvesse ameaça, só a singeleza do momento. Inclusive, em algumas das jornadas, o cenário está desfocado, como se o tempo estivesse parado para os dois, e nada mais importasse ao redor.

A ideia de trazer fotografias intercalando com voz over foram sensacionais, uma vez que e a montagem é impecável, com cortes precisos, trazendo ritmo para a narrativa. A escolha de imagens em preto e branco é um elemento estético assertivo, pois o diretor pôde brincar com a concepção da dualidade de bem e mal, da manipulação entre luz e sombra, conduzindo a história para um tom melancólico e sombrio.

A poesia de La Jetée reside justamente no trabalhar de conceitos filosóficos e ficcionais, como a morte, as memórias, a viagem no tempo que é um grande fascínio da humanidade. Acredito que qualquer ser humano em dado momento de sua vida sentiu a necessidade de voltar ao passado para fazer escolhas diferentes, para ver novamente uma pessoa amada que já morreu; mas o que mais me chama a atenção é o momento em que o homem fez sua primeira viagem para o futuro, onde a França está agora reconstruída, mas ele não quer viver ali, ele quer voltar e morar no passado, morar na imagem idealizada que ele nem ao menos tem certeza se é real, construída por ele ou meramente fruto dos experimentos que aconteceram no subterrâneo de Chaillot.

Os enquadramentos dos planos geralmente fechados somando-se à trilha que desde o início é impactante, uma ambiguidade sonora de destruição e catarse, nos permite mergulhar de cabeça no enredo que foi um grande marco da Nouvelle Vague e considerado um dos melhores curtas-metragens de todos os tempos. Chris Marker foi feliz em nos presentear com uma obra de extrema sensibilidade, refletindo a respeito de temas onde o amor, nostalgia, a fixação por uma imagem de infância nada mais é do que a sensação de conforto e ao mesmo tempo a fuga de um evento eminente que encerrará o nosso ciclo. A vida e a morte caminham em uma linha tênue e nossa consciência cria cenários para escaparmos deste dia imprevisível, porém inevitável, onde estaremos cara a cara com a nossa inimiga mordaz.

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Vingadores: Ultimato está prestes a chegar aos cinemas e foi divulgada a lista de personagens confirmados no longa, confira:

Brie Larson: Capitã Marvel

Tom Holland: Homem-Aranha

Bradley Cooper: Rocket (voz)

Karen Gillan: Nebula

Scarlett Johansson: Viúva Negra

Chris Hemsworth: Thor

Robert Downey Jr: Homem de Ferro

Dave Bautista: Drax

Josh Brolin: Thanos

Elizabeth Olsen: Feiticeira Escarlate

Chris Evans: Capitão América

Evangeline Lilly: Vespa

Jon Favreau: Happy Hogan

Pom Klementieff: Mantis

Sebastian Stan: Soldado Invernal

Tilda Swinton: Anciã

Michelle Pfeiffer: Janet Van Dyne

Paul Rudd: Homem- Formiga

Jeremy Renner: Ronin

Gwyneth Paltrow: Peper Potts

Mark Ruffalo: Hulk

Chadwick Boseman: Pantera Negra

Katherine Langford

Kerry Condon: Friday (voz) Brock Rumlow e Crossbones

Letitia Wright: Shuri

Don Cheadle: Máquina de Combate

Ty Simpkins: Harley Keener

Benedict Wong: Wong

Vingadores: Ultimato estreia em 25 de Abril nos cinemas.









Capitã em todo seu poder- reprodução: IMDB


Capitã Marvel traz o peso de ser a primeira heroína do UCM a ganhar filme solo. O longa não apenas abre caminhos para a personagem nos próximos capítulos do panteão de heróis, como também entrega algumas respostas que estiveram em aberto sobre alguns personagens de histórias anteriores.

Na história, acompanhamos a ex-pilota das forças aéreas americanas, Carol Danvers, tentando recuperar suas memórias perdidas, e nesse meio tempo, ela se vê presa em uma guerra alienígena entre duas raças e descobrindo os poderes que a tornará a mais poderosa de todo o universo.

O filme inicia com uma homenagem muito singela e bonita ao criador dos heróis da Marvel, o eterno Stan Lee, emocionando os fãs. Mas o longa não é somente homenagem, ele deve nos presentear com história e ação. É importante salientar que eu não acompanho as histórias em quadrinhos e só conheço sobre a Marvel nos cinemas, por isso a análise será puramente fílmica e não comparações entre um e outro.

Dirigido pela dupla Anna Boden e Ryan Fleck, ambos trabalharam juntos na comédia romântica Se Enlouquecer Não Se Apaixone (2010), onde se saíram super bem. Em Capitã Marvel eles também trouxeram essa veia cômica e funcionou. Nick Fury (Samuel L. Jackson) é o alívio cômico em praticamente todo o filme, dividindo tela com a gata Goosie. Os dois proporcionam momentos engraçados e atenuantes. Isso não torna Nick Fury menos Nick Fury, o líder da Shield imponente e Bad Ass que conhecemos. Brie Larson (O Quarto de Jack, O Maravilhoso Agora) tem uma interpretação razoável, acredito que parte da culpa venha da direção e do roteiro, (os irmãos Russos deixaram saudade, explico adiante). Mas ela entrega uma mulher forte e carismática. Sabemos que ela é uma Girl Power, mas não demonstra soberba mesmo depois de descobrir todo seu potencial, se mostrando forte mesmo enquanto se sente perdida e sem lembrar exatamente sua identidade.

Sobre os irmãos Russos despertarem certo saudosismo nesse filme está nas cenas de luta. Particularmente me senti perdido em meio aos cortes excessivos. Outro fator que me incomodou foi não existir um vilão propriamente dito e, quem sabe, tenha deixado a história um pouco sem ritmo, já que cenas de ação provoca o andamento do enredo (quando funciona).

As atuações são boas, principalmente dos atores que interpretam os Skrulls. Mas senti falta de um aprofundamento no personagem de Jude Law (Closer), confesso não ter me importado com ele. Como dito antes, Brie Larson e Samuel L. Jackson tem uma boa interação e a amizade entre os dois passa a sensação de verdade. A direção de arte soube trabalhar bem o visual das raças alienígenas e os efeitos visuais são críveis. O diferencial da Marvel para a DC é bem evidente nesse quesito e não se pode negar.

A trilha sonora é uma homenagem a década de 90 mas chega a exagerar em certos momentos. Em uma das cenas de confronto, tentaram encaixar uma música e acaba soando extremamente brega. E por falar em brega, o episódio em que a Carol Danvers muda seu visual verde para o vermelho e azul é bastante cafona.

Tirando uma série de falhas, o filme funciona. Tem cenas muito divertidas, algumas lembram bastante MIB- Homens de Preto, como por exemplo, numa perseguição em que Nick Fury e Coulson estão nas ruas em um carro que remete ao jogo de Play Station 1, Driver, e os dois estão de paletós pretos. Outra cena se passa no espaço e é super divertida envolvendo o Flarken.

Capitã Marvel é sobre uma mulher que está a procura de si mesma, com pano de fundo de super-heroi, o filme nos conta uma história sobre amizade e determinação. Carol Danvers é o Superman em versão feminina do UCM, se doando pelos que estão à sua volta e não restringindo sua força aos poderes sobre-humanos. É um bom filme de origem, com erros que não influenciam no curso da história e responde perguntas que os fãs gostariam de ter, e deixam novas perguntas. Sem contar com aquele velho e bom Plot Twist que nós adoramos em filmes. Difícil falar sem spoiler. Diante mão, sabemos como Fury perde a visão (outra cena mal aproveitada), e sobre uma das jóias do infinito (ainda não é exatamente a jóia que conhecemos). A cena pós-crédito é fabulosa e tem ligação direta com Vingadores – Ultimato.


Mary Elizabeth Winstead em Rua Cloverfield, 10- Reprodução: IMDB

Conforme noticiado pelo Deadline, a atriz Mary Elizabeth Winstead (Rua Cloverfield, 10, Premonição 3) entrou para o elenco de Aves de Rapina, que será produzido pela Warner/DC. Winstead se junta à Jurnee Smollett Bell (True Blood) e Margot Robbie (Esquadrão Suicida). No filme, acompanharemos um grupo de heroínas comandado pela Arlequina.

Mary Elizabeth será a heroína Caçadora, enquanto Jurnee será a Canário Negro, que teve sua versão em Smallville interpretada por Alaina Huffman e por Katie Cassiddy em Arrow.


O grupo ainda será formado por Cassandra Caine que é uma das Batgirls dos quadrinhos. Renee Montoya, um oficial da polícia de Gotham irá colaborar com o quarteto. O vilão do filme será o Máscara Negra. O roteiro será escrito pela roteirista de Bumblebee, Christina Hodson. A direção fica a cargo de Cathy Yan de Dead Pigs.


Aves de Rapina tem estreia marcada para 7 de Fevereiro de 2020 nos EUA.



Bill Murray (Bob Harris) Reprodução: IMDB

Originalmente intitulado Lost In Translation (Perdido Na Tradução), fazendo alusão a uma expressão americana, em que, mesmo onde uma palavra seja traduzida corretamente, ainda assim, alguma coisa perde-se do contexto da frase, o que dialoga diretamente com a história dos personagens de Encontros e Desencontros.

Escrito e dirigido por Sofia Coppola (filha de Francis Ford Coppola), o longa gira em torno da vida de Bob Harris (Bill Murray), um ator de meia idade que viaja à Tóquio para gravar um comercial de Uísque no valor de 2 milhões de dólares, entretanto, dinheiro não é sinônimo de felicidade, visto que, seu casamento de 25 anos está em crise, e as conversas com a esposa resumem-se em poucas palavras acerca da reforma da casa em que vivem e sobre montagem de móveis. Enquanto Charlotte faz a esposa modelo, (Scarlett Johansson) acompanhando seu marido que está em Tóquio trabalhando como fotógrafo, e vive demasiadamente ocupado, não dando a devida atenção para ela. Em uma determinada noite, Bob e Charlotte encontram-se por acaso no bar do hotel em que ambos estão hospedados, e começam a observar um ao outro, dando início a uma bela amizade.



Scarlett Johansson (Charlotte) Reprodução: IMDB

De forma sensível e satisfatória, Coppola em conjunto com a direção de arte e de fotografia (Lance Acord- Onde Vivem Os Monstros), nos permite refletir a respeito de como é estar solitário, e de como é difícil ter que lidar com escolhas em nossas vidas. E inclusive, ressalta o obstáculo de adaptar-se em um país de cultura totalmente inversa à nossa, como por exemplo, Bob e Charllote têm dificuldades para adormecer devido ao fuso horário diferenciado do Japão. Através do trabalho belíssimo da cinematografia, acentuando a solidão dos personagens através da Mise-en-Scene, com enquadramentos que refletem o sentimento deles naquele momento, como a cidade desfocada ao fundo (Nos faz recordar de HER), demonstrando o quanto Bob e Charllote estão distante da cultura japonesa, bem como, de si mesmos. 


Os minutos em que eles estão deitados e a câmera enquadra não apenas os personagens mas, o lado da cama vazio. Não esquecendo da excelente trilha sonora de Kevin Shields que encaixa perfeitamente com a montagem de cada plano deixando as cenas mais harmoniosas. Em muitas passagens do filme, vemos o quão frustrado Bob está com seu casamento, entretanto, continua imerso no tédio, na falta de prazer em estar naquela situação, ele não consegue sair da zona de conforto e segue preso em uma convivência sufocante, sem efeito positivo nem para si próprio, e nem para a esposa, Lydia.


Por sua vez, Charllote, formada em Filosofia, não compactua de vínculos fortes com Jhon, o relacionamento dos dois é bastante raso. Logo no início do filme a vemos chorando e conversando no telefone, quando questiona-se: “Eu não sei com quem eu me casei”. Ela não tem proximidade com as amizades dele, como é o caso da garota esnobe e egocêntrica, (Anna Farris), que é uma das melhores amigas de John e também está hospedada no mesmo hotel. Charllote vê-se perdida no casamento, uma vez que, ele está mais ausente do que deveria, dedicando-se integralmente à fotografia. As poucas conversas que tem com a esposa consiste em falar sobre o quanto o cigarro pode fazer mal para ela e outras coisas fúteis do seu emprego. Ela quer mais, entretanto, parece não ter coragem o suficiente para dizer isso à ele, e prossegue na bolha que a reprime e não a permite viver.


Quando Bob conhece Charllote no bar, rapidamente ele se vê encantado pela jovialidade da moça, mas acima disso, ele enxerga nela uma parte dele, e vice-versa. Percebemos que uma amizade sincera nasce entre os dois, e eles saem pelas ruas da cidade, conversam, vão até um karaokê, assistem à filmes juntos, divertem-se muito, e conseguem distanciar-se de seus relacionamentos conturbados, até que em dada circunstância precisam retornar ao pesadelo. A cada novo encontro entre eles uma nova descoberta, e o espectador consegue ter empatia pelo drama que eles vivenciam, até mesmo conseguindo se enxergar mergulhado em alguma situação semelhante. O roteiro tem um bom desenvolvimento trazendo dinamismo e liquidez à narrativa, preenchendo com diálogos visuais adoráveis, fazendo o espectador sentir o que está acontecendo sem necessariamente dialogar verbalmente.


O deslumbrante Bill Murray, aos 52 anos, consegue passar veracidade e transformar Harris no homem melancólico, sensível e ao mesmo tempo sagaz, com um humor ácido que brinca com seus próprios deslizes, não obstante, refletindo obviamente, o quanto de decepção carrega em sua alma. (vide Theodore em Her).


Em contrapartida, Scarlett Johansson, aos 19 anos, faz a típica garota perfeitinha, com uma beleza natural, sem muita maquiagem, transmitindo os aspectos emotivos de sua personagem de maneira delicada, principalmente por meio do seu olhar com os enquadramentos mais fechados. A dinâmica entre Murray e Johansson em cena é fluida e radiante. É perceptível uma tensão sexual que surge naturalmente entre Harris e Charllote, todavia, não soa forçado, uma vez que, o que chama a atenção em Bob, é seu cinismo, seu sarcasmo, sua melancolia tão facilmente notável. Sua experiência, destoando do marido que era unicamente profissional. A jovem sente-se atraída por um conjunto de fatores que faz Harris ter um significado a mais para ela.


 Tem uma cena maravilhosa no decorrer da narrativa que é trabalhada brilhantemente pela Sofia, e que é fundamental para o desfecho da história deles. A diretora e escritora não preocupa-se exatamente em querer contar para o espectador o que Harris sussurra no ouvido de Charllote, o que nos deixa com a pulga atrás da orelha em relação às decisões finais que eles tomaram. (Se falar mais alguma coisa, será um spoiler enorme), mas a cena é linda e acontece no ápice do último ato.


Encontros e Desencontros é um bom filme, com atuações marcantes, uma direção competente por parte da Sofia Coppola em conjunto com a direção de fotografia. A montagem do filme é outro fator importante, a todo instante nos fazendo enxergar o estado de espírito dos personagens. Um plano que acabou incomodando um pouco, foi o do karaokê, que torna-se um pouco extenso, contudo, não é desnecessário. O restante tem cortes precisos, intercalando as cenas dos personagens e dando profundidade a eles, e é isso que faz o filme funcionar, tornando o filme de Sofia Coppola uma obra relevante.


Os Psicopatas Mascarados- Reprodução: IMDB


Dez anos se passaram desde a estréia de Os Estranhos, filme onde um casal é perseguido por psicopatas mascarados durante toda uma madrugada, em uma atmosfera de suspense e tensão crescente. Em contrapartida, Os Estranhos: Caçada Noturna, a aguardada sequência pelos fãs, não foi mais do que uma homenagem a filmes clássicos da década de 70 e 80.

O primeiro filme dirigido por Bryan Bertino (roteirista e produtor executivo da sequência) consegue envolver apesar do ritmo desacelerado, mas em Caçada Noturna parece que os personagens estão andando em círculos, e mesmo com uma duração curta semelhante ao primeiro, dá a impressão de um filme mais longo devido ao roteiro desonesto.

A trama acompanha uma família prestes a fazer uma última viagem para um parque de trailers de parentes da família, onde logo depois os pais irão mandar a filha adolescente problemática para um colégio interno. Mas a viagem que deveria ser divertida e reflexiva torna-se um pesadelo, quando eles descobrem os corpos dos tios assassinados pelos mascarados em um dos trailers.

A partir dos acontecimentos iniciais o filme sinaliza mais do mesmo do gênero terror, e não estou me opondo ao clichê, mas aqui ele se sobressai, ao invés de somar-se a outros elementos narrativos. Vemos personagens tendo atitudes nada inteligentes e absurdas para a situação, por exemplo, em uma discussão entre os pais e a filha, eles a deixam sair em plena noite e se afastar do trailer onde eles estão, detalhe, antes disso, uma estranha bate na porta com o velho bordão “A Tamara Está?” (Depois disso o gore começa). Mas só pelo simples fato do lugar parecer inóspito, é um bom argumento para não deixar a filha sozinha no escuro da noite.

Bailee Madison (Kinsey) Reprodução: IMDB

Em questão, de roteiro o longa dirigido por Johannes Roberts (Floresta dos Condenados) acaba entregando personagens que nãos nos importamos, diálogos bobos, e para não ser injusto, a personagem da atriz Bailee Madison (Os Feiticeiros de Waverly Place), que interpreta a adolescente emburrada, Kinsey é a que entrega mais em atuação. Christina Hendricks (Mad Men) faz a mãe que não se dá bem com a filha, mas a relação entre elas não passa sinceridade. Martin Henderson (Grey´s Anatomy) está no papel de pai porque tinha que ter um no roteiro, apenas isso. Particularmente, os únicos que interagem de uma maneira mais crível são os irmãos, Luke (Lewis Pullman) a adolescente Kinsey.

Visualmente Os Estranhos: Caçada Noturna é um show à parte. A direção de arte de Ryan Samul (Apaixonados em Nova York) se apropria muito bem dos elementos estéticos, como a manipulação de luz e sombras trazendo em certos momentos tensão e medo, uma vez que você não sabe quem está à espreita no parque de trailers desalumiado. Diferente do primeiro filme, este usa planos mais abertos para tentar causar alvoroço no espectador com movimento de câmera enervante. Os psicopatas mascarados continuam assustando na mesma proporção do primeiro filme, tendo inclusive, falas (uma ou duas palavrinhas rápidas, mas que remete a idéia das motivações deles ou quem sabe nenhuma). O diretor se utiliza muito bem das técnicas de câmeras para deixar um dos estranhos ainda mais imponente, como se as vítimas não tivessem escapatória.

A trilha sonora é derivada dos flashbacks da década de 80 e por mais que o longa se passe nos dias atuais, até que funciona. Tive a ligeira impressão de que as músicas usadas em ambos os filmes são um gosto pessoal dos estranhos, (Os Mascarados) que no primeiro tem uma pegada mais country, entretanto, de alguma década passada. Tem uma cena super maravilhosa filmada em uma piscina ao som de, pasmem! Bonnie Tyler (Total Eclipse Of The Heart). Peguei-me cantando ao mesmo tempo em que torcendo pela vítima, uma mistura eclética e estranha, mas que funcionou (Ao menos para mim).

Como citei no começo do texto, o filme de Johannes Roberts é nada mais que uma homenagem aos filmes clássicos da década de 70 e 80, como O Massacre da Serra Elétrica de 1974, Christine o Carro Assassino de 1983, Sexta-Feira 13, onde os fãs conseguem notar claramente as influências do diretor logo de cara. John Carpenter, Stephen King Tobe Hooper são fantasmas presentes na obra de Johannes e que traz uma ótima nostalgia para os amantes do gênero terror (Eu sou um deles). Existe também um easter egg que faz referência a outro filme dirigido por Johannes em 2017, (47 Meters Down- Medo Profundo), em um bilhete encontrado pela personagem de Christina Hendricks onde diz para a família ir para a cabana “47”.

Os Estranhos: Caçada Noturna não traz nenhuma novidade, tornando-se uma sequência infeliz e por que não dizer, cansativa? Em que os personagens correm em círculos e parece nunca chegar a lugar nenhum, e isso também serve para a conclusão da trama que dependendo da interpretação de cada um, deixa brecha para uma possível continuação. O que se salva no filme é o visual e o saudosismo, e algumas cenas de tensão e gore.