Mary Elizabeth Winstead em Rua Cloverfield, 10- Reprodução: IMDB

Conforme noticiado pelo Deadline, a atriz Mary Elizabeth Winstead (Rua Cloverfield, 10, Premonição 3) entrou para o elenco de Aves de Rapina, que será produzido pela Warner/DC. Winstead se junta à Jurnee Smollett Bell (True Blood) e Margot Robbie (Esquadrão Suicida). No filme, acompanharemos um grupo de heroínas comandado pela Arlequina.

Mary Elizabeth será a heroína Caçadora, enquanto Jurnee será a Canário Negro, que teve sua versão em Smallville interpretada por Alaina Huffman e por Katie Cassiddy em Arrow.


O grupo ainda será formado por Cassandra Caine que é uma das Batgirls dos quadrinhos. Renee Montoya, um oficial da polícia de Gotham irá colaborar com o quarteto. O vilão do filme será o Máscara Negra. O roteiro será escrito pela roteirista de Bumblebee, Christina Hodson. A direção fica a cargo de Cathy Yan de Dead Pigs.


Aves de Rapina tem estreia marcada para 7 de Fevereiro de 2020 nos EUA.



Bill Murray (Bob Harris) Reprodução: IMDB

Originalmente intitulado Lost In Translation (Perdido Na Tradução), fazendo alusão a uma expressão americana, em que, mesmo onde uma palavra seja traduzida corretamente, ainda assim, alguma coisa perde-se do contexto da frase, o que dialoga diretamente com a história dos personagens de Encontros e Desencontros.

Escrito e dirigido por Sofia Coppola (filha de Francis Ford Coppola), o longa gira em torno da vida de Bob Harris (Bill Murray), um ator de meia idade que viaja à Tóquio para gravar um comercial de Uísque no valor de 2 milhões de dólares, entretanto, dinheiro não é sinônimo de felicidade, visto que, seu casamento de 25 anos está em crise, e as conversas com a esposa resumem-se em poucas palavras acerca da reforma da casa em que vivem e sobre montagem de móveis. Enquanto Charlotte faz a esposa modelo, (Scarlett Johansson) acompanhando seu marido que está em Tóquio trabalhando como fotógrafo, e vive demasiadamente ocupado, não dando a devida atenção para ela. Em uma determinada noite, Bob e Charlotte encontram-se por acaso no bar do hotel em que ambos estão hospedados, e começam a observar um ao outro, dando início a uma bela amizade.



Scarlett Johansson (Charlotte) Reprodução: IMDB

De forma sensível e satisfatória, Coppola em conjunto com a direção de arte e de fotografia (Lance Acord- Onde Vivem Os Monstros), nos permite refletir a respeito de como é estar solitário, e de como é difícil ter que lidar com escolhas em nossas vidas. E inclusive, ressalta o obstáculo de adaptar-se em um país de cultura totalmente inversa à nossa, como por exemplo, Bob e Charllote têm dificuldades para adormecer devido ao fuso horário diferenciado do Japão. Através do trabalho belíssimo da cinematografia, acentuando a solidão dos personagens através da Mise-en-Scene, com enquadramentos que refletem o sentimento deles naquele momento, como a cidade desfocada ao fundo (Nos faz recordar de HER), demonstrando o quanto Bob e Charllote estão distante da cultura japonesa, bem como, de si mesmos. 


Os minutos em que eles estão deitados e a câmera enquadra não apenas os personagens mas, o lado da cama vazio. Não esquecendo da excelente trilha sonora de Kevin Shields que encaixa perfeitamente com a montagem de cada plano deixando as cenas mais harmoniosas. Em muitas passagens do filme, vemos o quão frustrado Bob está com seu casamento, entretanto, continua imerso no tédio, na falta de prazer em estar naquela situação, ele não consegue sair da zona de conforto e segue preso em uma convivência sufocante, sem efeito positivo nem para si próprio, e nem para a esposa, Lydia.


Por sua vez, Charllote, formada em Filosofia, não compactua de vínculos fortes com Jhon, o relacionamento dos dois é bastante raso. Logo no início do filme a vemos chorando e conversando no telefone, quando questiona-se: “Eu não sei com quem eu me casei”. Ela não tem proximidade com as amizades dele, como é o caso da garota esnobe e egocêntrica, (Anna Farris), que é uma das melhores amigas de John e também está hospedada no mesmo hotel. Charllote vê-se perdida no casamento, uma vez que, ele está mais ausente do que deveria, dedicando-se integralmente à fotografia. As poucas conversas que tem com a esposa consiste em falar sobre o quanto o cigarro pode fazer mal para ela e outras coisas fúteis do seu emprego. Ela quer mais, entretanto, parece não ter coragem o suficiente para dizer isso à ele, e prossegue na bolha que a reprime e não a permite viver.


Quando Bob conhece Charllote no bar, rapidamente ele se vê encantado pela jovialidade da moça, mas acima disso, ele enxerga nela uma parte dele, e vice-versa. Percebemos que uma amizade sincera nasce entre os dois, e eles saem pelas ruas da cidade, conversam, vão até um karaokê, assistem à filmes juntos, divertem-se muito, e conseguem distanciar-se de seus relacionamentos conturbados, até que em dada circunstância precisam retornar ao pesadelo. A cada novo encontro entre eles uma nova descoberta, e o espectador consegue ter empatia pelo drama que eles vivenciam, até mesmo conseguindo se enxergar mergulhado em alguma situação semelhante. O roteiro tem um bom desenvolvimento trazendo dinamismo e liquidez à narrativa, preenchendo com diálogos visuais adoráveis, fazendo o espectador sentir o que está acontecendo sem necessariamente dialogar verbalmente.


O deslumbrante Bill Murray, aos 52 anos, consegue passar veracidade e transformar Harris no homem melancólico, sensível e ao mesmo tempo sagaz, com um humor ácido que brinca com seus próprios deslizes, não obstante, refletindo obviamente, o quanto de decepção carrega em sua alma. (vide Theodore em Her).


Em contrapartida, Scarlett Johansson, aos 19 anos, faz a típica garota perfeitinha, com uma beleza natural, sem muita maquiagem, transmitindo os aspectos emotivos de sua personagem de maneira delicada, principalmente por meio do seu olhar com os enquadramentos mais fechados. A dinâmica entre Murray e Johansson em cena é fluida e radiante. É perceptível uma tensão sexual que surge naturalmente entre Harris e Charllote, todavia, não soa forçado, uma vez que, o que chama a atenção em Bob, é seu cinismo, seu sarcasmo, sua melancolia tão facilmente notável. Sua experiência, destoando do marido que era unicamente profissional. A jovem sente-se atraída por um conjunto de fatores que faz Harris ter um significado a mais para ela.


 Tem uma cena maravilhosa no decorrer da narrativa que é trabalhada brilhantemente pela Sofia, e que é fundamental para o desfecho da história deles. A diretora e escritora não preocupa-se exatamente em querer contar para o espectador o que Harris sussurra no ouvido de Charllote, o que nos deixa com a pulga atrás da orelha em relação às decisões finais que eles tomaram. (Se falar mais alguma coisa, será um spoiler enorme), mas a cena é linda e acontece no ápice do último ato.


Encontros e Desencontros é um bom filme, com atuações marcantes, uma direção competente por parte da Sofia Coppola em conjunto com a direção de fotografia. A montagem do filme é outro fator importante, a todo instante nos fazendo enxergar o estado de espírito dos personagens. Um plano que acabou incomodando um pouco, foi o do karaokê, que torna-se um pouco extenso, contudo, não é desnecessário. O restante tem cortes precisos, intercalando as cenas dos personagens e dando profundidade a eles, e é isso que faz o filme funcionar, tornando o filme de Sofia Coppola uma obra relevante.


Os Psicopatas Mascarados- Reprodução: IMDB


Dez anos se passaram desde a estréia de Os Estranhos, filme onde um casal é perseguido por psicopatas mascarados durante toda uma madrugada, em uma atmosfera de suspense e tensão crescente. Em contrapartida, Os Estranhos: Caçada Noturna, a aguardada sequência pelos fãs, não foi mais do que uma homenagem a filmes clássicos da década de 70 e 80.

O primeiro filme dirigido por Bryan Bertino (roteirista e produtor executivo da sequência) consegue envolver apesar do ritmo desacelerado, mas em Caçada Noturna parece que os personagens estão andando em círculos, e mesmo com uma duração curta semelhante ao primeiro, dá a impressão de um filme mais longo devido ao roteiro desonesto.

A trama acompanha uma família prestes a fazer uma última viagem para um parque de trailers de parentes da família, onde logo depois os pais irão mandar a filha adolescente problemática para um colégio interno. Mas a viagem que deveria ser divertida e reflexiva torna-se um pesadelo, quando eles descobrem os corpos dos tios assassinados pelos mascarados em um dos trailers.

A partir dos acontecimentos iniciais o filme sinaliza mais do mesmo do gênero terror, e não estou me opondo ao clichê, mas aqui ele se sobressai, ao invés de somar-se a outros elementos narrativos. Vemos personagens tendo atitudes nada inteligentes e absurdas para a situação, por exemplo, em uma discussão entre os pais e a filha, eles a deixam sair em plena noite e se afastar do trailer onde eles estão, detalhe, antes disso, uma estranha bate na porta com o velho bordão “A Tamara Está?” (Depois disso o gore começa). Mas só pelo simples fato do lugar parecer inóspito, é um bom argumento para não deixar a filha sozinha no escuro da noite.

Bailee Madison (Kinsey) Reprodução: IMDB

Em questão, de roteiro o longa dirigido por Johannes Roberts (Floresta dos Condenados) acaba entregando personagens que nãos nos importamos, diálogos bobos, e para não ser injusto, a personagem da atriz Bailee Madison (Os Feiticeiros de Waverly Place), que interpreta a adolescente emburrada, Kinsey é a que entrega mais em atuação. Christina Hendricks (Mad Men) faz a mãe que não se dá bem com a filha, mas a relação entre elas não passa sinceridade. Martin Henderson (Grey´s Anatomy) está no papel de pai porque tinha que ter um no roteiro, apenas isso. Particularmente, os únicos que interagem de uma maneira mais crível são os irmãos, Luke (Lewis Pullman) a adolescente Kinsey.

Visualmente Os Estranhos: Caçada Noturna é um show à parte. A direção de arte de Ryan Samul (Apaixonados em Nova York) se apropria muito bem dos elementos estéticos, como a manipulação de luz e sombras trazendo em certos momentos tensão e medo, uma vez que você não sabe quem está à espreita no parque de trailers desalumiado. Diferente do primeiro filme, este usa planos mais abertos para tentar causar alvoroço no espectador com movimento de câmera enervante. Os psicopatas mascarados continuam assustando na mesma proporção do primeiro filme, tendo inclusive, falas (uma ou duas palavrinhas rápidas, mas que remete a idéia das motivações deles ou quem sabe nenhuma). O diretor se utiliza muito bem das técnicas de câmeras para deixar um dos estranhos ainda mais imponente, como se as vítimas não tivessem escapatória.

A trilha sonora é derivada dos flashbacks da década de 80 e por mais que o longa se passe nos dias atuais, até que funciona. Tive a ligeira impressão de que as músicas usadas em ambos os filmes são um gosto pessoal dos estranhos, (Os Mascarados) que no primeiro tem uma pegada mais country, entretanto, de alguma década passada. Tem uma cena super maravilhosa filmada em uma piscina ao som de, pasmem! Bonnie Tyler (Total Eclipse Of The Heart). Peguei-me cantando ao mesmo tempo em que torcendo pela vítima, uma mistura eclética e estranha, mas que funcionou (Ao menos para mim).

Como citei no começo do texto, o filme de Johannes Roberts é nada mais que uma homenagem aos filmes clássicos da década de 70 e 80, como O Massacre da Serra Elétrica de 1974, Christine o Carro Assassino de 1983, Sexta-Feira 13, onde os fãs conseguem notar claramente as influências do diretor logo de cara. John Carpenter, Stephen King Tobe Hooper são fantasmas presentes na obra de Johannes e que traz uma ótima nostalgia para os amantes do gênero terror (Eu sou um deles). Existe também um easter egg que faz referência a outro filme dirigido por Johannes em 2017, (47 Meters Down- Medo Profundo), em um bilhete encontrado pela personagem de Christina Hendricks onde diz para a família ir para a cabana “47”.

Os Estranhos: Caçada Noturna não traz nenhuma novidade, tornando-se uma sequência infeliz e por que não dizer, cansativa? Em que os personagens correm em círculos e parece nunca chegar a lugar nenhum, e isso também serve para a conclusão da trama que dependendo da interpretação de cada um, deixa brecha para uma possível continuação. O que se salva no filme é o visual e o saudosismo, e algumas cenas de tensão e gore.



   
Será que os dias de vida da gigante do streaming estão contados? Não haverá mais produções originais para serem odiadas e amadas com a mesma intensidade? Um ditado popular bastante conhecido diz o seguinte; “Ruim com ele, e pior sem ele”, nesse caso, ela. Como você se sentiria se a Netflix pendurasse as chuteiras? Para qual plataforma você migraria? Muitas perguntas, não é mesmo? Mas não precisa se preocupar, chorar ou fazer um discurso fúnebre via Facebook ou Twitter, pedindo para os deuses criadores trazê-la de volta. Recentemente, uma matéria do Los Angeles Times, falou sobre o possível futuro tenebroso que a distribuidora de conteúdo online está para enfrentar; devido a uma dívida a longo prazo em torno de 20 bilhões (63 bilhões de reais), com relação a direitos de distribuição de conteúdo e outras obrigações econômicas. Mas a própria Companhia refutou o valor da dívida, em nota à BBC Mundo, disse que o valor seria de 4,8 bilhões, o que não deixa de ser um débito, mas vamos jogar os números para o escanteio por enquanto, porque o que nos interessa é se ela vai cair no abismo ou não.

Contradizendo as informações de que a Netflix pode ir à falência devido aos empréstimos bilionários, Ted Sarandos, diretor de conteúdo da empresa, disse, em entrevista à Variety que serão investidos 7 bilhões em conteúdo original dividos entre filmes e séries para 2018. Vale ressaltar que, recentemente a companhia contratou a roteirista de Grey’s Anatomy, How To Get Away With Murder e Scandal, Shonda Rhimes, para produzir séries diretamente para o catálogo da empresa e não mais para a ABC, onde trabalhou por 20 anos.

Com essa nova parceria, a Netflix poderá alavancar o número de assinantes, que atualmente está na casa dos 100 milhões, visto que, Grey’s Anatomy é uma das séries mais populares do catálogo. Um outro ponto chave dessa sociedade entre Shonda e Netflix, é o fato da escritora ter total liberdade em suas criações, já que na emissora aberta, seus trabalhos tinham que obrigatoriamente passar pelas mãos dos produtores do canal, e no streaming, ela não vai precisar de revisores para censurar suas produções, os dois lados serão beneficiados, e claro, o público também sai em vantagem.

A disputa entre as empresas de streaming está cada vez mais acirrada, a Apple, pretende investir 1 bilhão para comprar e produzir conteúdo em 2018, com isso, se tornará uma das maiores produtoras de Hollywood. A Netflix se sobressai devido aos conteúdos originais de grande sucesso como, Orange Is The New Black, House Of Cards e a cancelada Sense 8. No entanto, existe uma expressiva visibilidade da Hulu (Chance), Amazon Prime, Youtube e da própria Apple.

A guerra entre elas estão apenas começando, não existe possibilidade de rendição de nenhuma das partes, pelo menos não por enquanto, dessa maneira, os assinantes poderão ter um leque de possibilidades com relação aos conteúdos produzidos, e ao contrário do que se fala, a Netflix está longe de morrer.



Texto publicado originalmente em 22/08/2017 | 10:29